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domingo, 23 de maio de 2010

Visita ao Alcoólicos Anônimos


Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.


O que me surpreendeu no AA foi o fato deles não possuírem uma hierarquia rígida na sua organização administrativa, uma vez que todos se colocam na mesma posição de usuários, sendo que alguns eventualmente exercem alguma função, algum cargo, que mesmo assim é transitório. Isso transparece a seriedade do objetivo do grupo que não é de fazer auto-promoção de si ou de seus membros, mas de auxiliar pessoas que se encontram em problemas decorrentes do uso abusivo de alcool a se afastarem da droga, se assim quiserem, ajudando, portanto, uns aos outros. Para não se afastarem desse objetivo e manter a integridade da Irmandade, não se manifestam sobre temas polêmicos que envolvem o uso do alcool, seus "coordenadores" não dão entrevistas no meio televisivo e nem apelam para ajuda financeira.
Pra mim ficou claro ali a efetividade do apoio da rede social na cura de doenças e na redução de agravos à saúde. Não tinha profissionais de saúde, nem experts em drogas de um modo geral ou em alcool ou em doenças decorrentes do uso abusivo destas, havia apenas pessoas que conviveram e convivem ainda com o alcool e que têm pra trocar com os demais a sua história de vida, a sua experiência.
No entanto, eles reconhecem a importância de orientar os profissionais de saúde quanto à essa doença que é o alcoolismo, que diferente de muitas outras por não ter só repercurssões físicas no indivíduo, nem cessa com o uso de determinada medicação, nem se adquire através do contato com um patógeno específico, É muito mais complexo, envolve muitos outros fatores da vida da pessoa e por isso mesmo, não pertence só a área da saúde, necessariamente. Nas histórias de vida dos membros que nos receberam também fica muito clara a importância do profissional de saúde de encaminhar, orientar os pacientes que sofrem dessa doença para esse tipo de "tratamento", pois eles haviam chegado ali por intermédios de seus médicos e seriam eternamente gratos a eles por isso.
Os problemas de saúde decorrentes o alcoolismo crônico inevitavelmente chegam às unidades de saúde e instituições hospitalares, mas o tratamento só desses problemas agudos não basta para o atendimento integral do indivíduo. Os profissionais devem primeiro perceber o etilismo como um problema de saúde e não só tratar a alucinação, o problema hepático ou o trauma decorrente do acidente automobilístico, depois saberem quais os tratamentos disponíveis para assim encaminhá-los e orientá-los em conversa franca.


Vejo muitos pacientes na internação hospitalar com o Histórico de etilismo ou uso de outras drogas, mas vejo apenas ser tratado o motivo da internação, a queixa principal. Mas se a queixa é decorrente do uso abusivo de drogas, o problema primário também não merece uma atenção? Uma conversa, uma pergunta que seja sobre esse problema, uma orientação, um apoio...


Para conhecer mais sobre o AA: http://www.alcoolicosanonimos.org.br/

quinta-feira, 18 de março de 2010

Experiência de prática na puericultura

Gente...vim aqui compartilhar um experência de estágio q tive terça passada lá no 15º Centro de saúde, na puericultura. Foi lindo.
Eu não atendi ninguém, foi o primeiro dia e a professora Marinalva (nem sei se posso dizer nomes, mas tb não vou falar mal hehehe) deixou a gente só observando a primeira consulta. Ai é que ta. Gostei muito da forma como ela conduziu a consulta, inclusive explicando passo a passo cada coisa que fazia.
Estava a mãe, a criança e o PAI :O . Tive várias coisas que me chamaram a atenção. A prof começou a consulta com uma conversa informal (o que os deixou bem a vontade), perguntando primeiro como tinha sido experiência da gestação, do parto e dos cuidados com a criança até ali(o bb tinha um mês), considerando inclusive se a mãe tinha tido vontade de amamentar desde de sempre ou não. Ela não entupiu os pais de informações, primeiro ela ia vendo o que eles já sabiam (e como sabiam!), e ia apenas complementando quando necessário. Tudo que eu estava pensando que eu iria falar sobre cuidados alimentares, de higiene, calendário vacinal etc...eles já sabiam. Teve um momento até que mãe disse assim " Porque eu li na internet que amamentar além de alimentar e proteger meu filho, faz criar o vículo da a mãe com o filho"( e eu achando q isso era eu quem ia dizer p ela na minha consulta). E muitas outras coisas gente..a mãe era super antenada, tudo ela pesquisava na internet (inclusive eu até indiquei o site do ministério da saúde que tem informações bem seguras para ela), e o pai super participativo, até perguntava e sabia falar datas de exames da criança (tudo bem que essa parte do pai acho q ainda é uma excessão atualmente). No exame físico a professora ia passo a passo explicando p mãe e pais e para gente o que significava cada valor. E no final sentou para construir junto com a gente a evolução( isso só tinha acontecido no meu quarto semestre).
Foi isso gente, acho que é desse tipo de professores que precisamos. Não quero professoares cheios de conhecimentos teóricos apenas, mas prof que me ensine como devo colocar em prática e a serviço do usuário esse conhecimento. Se fala tando em humanização da assistência, que devemos ouvir, valorizar o que o usuário já sabe, ter sensibilidade para perceber situações de conflitos..em fim..mas os professores na hora da prática só cobra de nós preenchimento das fichas(elas são importantes), fazer as orientações necessáiras( vc fala e o usuário olha, pq nem sei se ele ouve mesmo), solicitar exames, prescrever... only this!
Experiências como essa que tive faz a gente perceber a assitência como algo muito mais amplo, tornando o usuário cooparticipante do seu processo de saúde-doença.
"Sabemos quase nada do que precisamos saber, mas podemos agregar nossos conhecimentos/experiências para que sejam mais eficazes". (Sabiny,2010)hahuah