quarta-feira, 10 de junho de 2009

O Guardador de Rebanhos

metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das coisas?
Que opnião tenho eu das causas e efeitos?
[...]

Não sei. Para mim pensar nisso é feixar os olhos.
[...]

Fernando Pessoa

Um comentário:

Bianca 2007.1 disse...

E não pensar. É correr as cortinas/
Da minha janela (mas ela não tem cortinas)."

Adoro esse poesia, TODA ELA (o guardador de rebanhos)!!
Em mim, ela desperta a simplicidade, a divindade, a naturalidade das coisas e a Natureza de dentro das coisas. Fala sobre o "ver" ("Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura..."), o "pensar" ("pensar é não compreender"; "Penso com os olhos e com os ouvidos/E com as mãos e os pés/E com o nariz e a boca.") e muitas outras coisas que não sei e que não se escreve...

"(...)
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
(...)"